Durante uma semana,a população enfrentou as forças da polícia e do exército até ser reprimido com muita violência. O episódio transformou, no período de 10 a 16 de novembro de 1904, a recém reconstruída cidade do Rio de Janeiro numa praça de guerra com confrontos generalizados.No final de tudo só conseguimos com que a vacina não fosse mais obrigatória.
2011/05/05
O Rio se transformou numa grande desordem!
"Tiros, gritaria, engarrafamento de trânsito, comércio fechado, transporte público assaltado e queimado, lampiões quebrados à pedradas, destruição de fachadas dos edifícios públicos e privados, árvores derrubadas: o povo do Rio de Janeiro se revolta contra o projeto de vacinação obrigatório proposto pelo sanitarista Oswaldo Cruz" (Gazeta de Notícias, 14 de novembro de 1904)
A revolta e a indignação está crescendo cada vez mais.E começaram os conflitos e manifestos que se espalham pelas ruas aqui do Rio de Janeiro.O povo do Rio de Janeiro se revolta não só contra a vacina obrigatória, mas também se revolta por causa de decisões do governo que afetam e prejudicam nós que não temos condições pra reconstruir nossas vidas no centro.Começou com uma manifestação estudantil, depois as manifestações cresceram e foi em direção a sede do governo (palácio do catete).O Rio se transformou numa grande desordem.
2011/04/18
Se vacinar, mato!
Sem menor consideração, nós, moradores da cidade, principalmente aqueles dos bairros mais pobres, estamos revoltados com a perda de nossas casas, a agressividade dos mata-mosquitos e assustados com as notícias divulgadas pelos jornais de oposição sobre os supostos perigos da vacinação. O nosso principal descontentamento é com os modos autoritários que o governo vem agindo para fazer a reforma do Rio de Janeiro e da forma indiferente como vem tratando as camadas mais baixas da população.
Nós simplesmente recebemos uma ordem para nos mudarmos, não recebemos local,muito menos indenização e ajuda para reconstruirmos nosso lar. Nossa situação de saneamento ainda ficou pior nos morros em que fomos nos alojar, e com as casas improvisadas,nada melhorou para nós.
Estou indignada com esse governo seletivo e elitizado!
Se não vacinar, morre !
Depois da campanha vitoriosa no combate a febre amarela, a varíola começou a se alastrar cada vez mais e o governo chegou a conclusão de que essa doença podia ser evitada preventivamente com o uso da vacina. É claro que essa idéia encontrou forte resistência por parte de nós da população. Mas mesmo assim, foi aprovada a Lei da Vacina, tornando-a obrigatória para todo mundo. Essa lei permite que as brigadas sanitárias entrem, apoiadas pela polícia, em todas as casas e vacinando todo mundo à força! Por isso o Rio ,virou um campo de batalha: a nossa rejeição à vacina contra a varíola e não só por causa da vacina por tudo que o governo tem imposto a nossa população.
Estamos muito confusos e descontentes. Nós não acreditamos na eficiência dessa vacina! Essa lei, faz com que nós sejamos humilhados pelo governo, não respeita a individualidade de cada um. Nós mulheres, tivemos que nos despir diante dos vacinadores. Aonde está o respeito ?
O lema das autoridades sanitárias é: "Se não vacinar, morre".
O nosso passa a ser: " Se vacinar, mato!"
Em meio a toda essa nossa insatisfação, o médico Oswald Cruz foi encarregado de livrar o RJ das doenças infecto-contagiosas e melhorar as condições sanitárias da cidade, que é um grande problema. Ele começou criando as Brigada Mata Mosquitos, que combatiam a febre amarela e peste bulbonica através da desinfecção e extermínio dos mosquistos transmissores da febre amarela nas casas, por meio de invasões. Também fez a campanha de extermínio de ratos, que transmitiam a peste, espalhando ratícias pela cidade e obrigando o povo a recolher os lixos.
2011/04/17
Eles não querem se livrar apenas das doenças, de nós também.
A maioria de nós moradores, temos motivos de sobra para reclamar da vida em geral e do governo também. Tudo está faltando. Muitas pessoas estão sem empregos, sem saneamento básico e sem moradia, as ruas estão sem iluminação elétrica e pouca disponibilidade de transportes públicos. Com a reforma do Rio, somos obrigados a deixar nossos cortiços e ir para o morro, porque estão derrubando tudo com o objetivo de construir largas e grandes ruas com prédios enormes. Não temos outras alternativas, a não ser construir casas improvisadas ou se mudar para bairros periféricos. Em vez de quererem uma solução para os problemas da maioria da população, se preocuparam apenas com a elitização do Rio, e com isso nós da população com condições precárias fomos deixados de lado pela reforma urbanística por meio desse movimento conhecido como ‘’bota-abaixo’’.
Com esse objetivo de civilizar a cidade, o governo proibiu a presença de vacas e porcos nas ruas e proibiram também o hábito popular de cuspir no assoalho dos bondes.
Com todas essas mudanças o governo está visando apenas atrair o capital externo e também permitir o escoamento da mercadoria para o estrangeiro.
bota-abaixo em ação
2011/04/15
A minha cidade, Rio de Janeiro, apesar de bela, esta passando por graves problemas urbanos; saneamento básico precário, focos de doenças como febre amarela, tuberculose, peste, varíola, tifo, entre outras . Os cortiços estão super lotados, o que agrava as doenças e formam grandes epidemias. Muitas pessoas, inclusive os imigrantes europeus estão morrendo com essas doenças infecciosas. Com isso, alguns navios estrangeiros não estão parando no porto de nossa cidade.
Estamos contando com a promessa de Rodrigues Alves, nosso presidente: " Meu programa de governo vai ser muito simples. Vou limitar-me quase exclusivamente ao saneamento e melhoramento do porto do RJ."
Buscando a modernização e o saneamento da cidade, Rodrigues nomeou Francisco Passos para assumir a frente das reformas e Dr. Oswaldo Cruz para o saneamento.
Presidente -Rodrigues Alves
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